Friday, December 22, 2006

Tudo faz sentido...

Sem sombras que me vejam, percorro aquilo que ainda não é a sombra. E vou construindo os meus sentimentos. Pego nas palavras e moldo-as à minha medida. Não sei se crio, não sei se recrio: vou virando de avesso aquilo que sinto.Deixem-me assim. Mentindo a mim mesmo, fugindo do que percorro, sem olhar para trás. A mágoa escreve através de lágrimas o imenso tédio que tenho de mim. Não consigo viver sem ser assim, sou feliz assim. Sou estúpido assim e há quem goste. Para mim as palavras são o refúgio de quem não quer ter pensamentos, os meus sentimentos são as palavras que escrevo. Elas ficam aqui, agarradas a este fundo que as segura. Em mim elas não ficam, caem e voltam a nascer outras. Não me contento em sentir apenas a felicidade e a tristeza. Quero sentir o que vai de uma para outra. Não quero ser preto nem branco, mais nem menos, não quero ser o oposto nem o oposto do oposto. Quero ser o que vai de uma coisa que vai para outra, quero ser o meio. O meu meio de ser meio. Viver sem saber o que sou, ir vivendo ao sabor de mim próprio. Feliz na minha tristeza e triste na minha felicidade. Os meus sentimentos nem eu os conheço, tambem não os quero conhecer. Não quero saber o que sou, simplesmente quero ser, e sê-lo sempre. E a cada letra pintada com o sangue que nos corre nas veias, as palavras que escrevemos são um pouco de nós que já não nos pertence. Agora os sentimentos são nossos, agora são de quem os lê. Quem lê reescreve sobre as palavras já escritas. Volta a pensar sobre as coisas já pensadas. É a essência de criar e recriar aquilo que quem escreveu começou. Só realmente escreve quem consegue ler. Quem escreve, descreve uma ideia. Quem lê, volta a reescrevê-la. Porque mais do que as palavras são, são o que elas significam. Não faz sentido uma palavra ser apenas o que é. Ela tem que ser o que se quer que se veja nela. Uma palavra pode ser tudo, se os olhos de quem a lê puderem ver tudo. É como espelhos que só deixam ver o que se quer ver. Por vezes a noite brilha mais que o dia. Tudo gira à volta de ideias começadas e ideias por acabar. A verdade é que não se podem começar ideias nem acabá-las. Tudo vive no meio de apenas poder ser meio. A ordem das palavras só interessa para quem gosta de ouvir soar aquilo que não existe. A rima é o som que se repete, não são de todo as ideias que se fazem ouvir. A forma da perfeição não está no facto da forma poder ser supostamente perfeita.A Arte de tentar unir a forma perfeita ao conteúdo que deverá ter tudo o que é suposto ter - a Poesia - talvez em vão, eu acho. É bom saber que há quem acredite que isso não é impossível. Será que uma simples frase pode conter as duas perfeições numa só? Talvez aos olhos de quem lê tudo seja possível... se acreditar... Leio bem o código de como poder ser feliz : O bater de dois corações num só corpo separado pela distância que se chama saudade. Andamos ao mesmo ritmo, ao mesmo som, o som de quem não tem nada a perder e ao ritmo de quem quer amar e ser amado. Tenho medo que um dia esta veia se corte a si própria. A imaginação deixe de existir pura e simplesmente.Tenho medo que um dia as palavras fujam de mim em mim.Tenho medo de não ter medo nenhum.Talvez quando esse dia chegar aperceber-me-ei que as palavras são a mentira de querermos sentir com algo criado exterior a nós próprios.Não existe palavras quando sorrimos nem quando choramos.As palavras apenas existem na cabeça daqueles que querem acreditar que elas existem.
Mas os sentimentos… esses? Ficam nos interiormente e não são tão facilmente camuflados quando dizemos: amo-te.
É essa transparência que me faz acreditar, é essa transparência que faz me delirar e sentir o teu perfume nunca sentido como antes...


(Dedico este pensamento, a todas as pessoas que amo, amigos, amigas, e a ti particularmente…)

3 comments:

Anonymous said...

Que te dizer...se no meio de tantas palavras nem te consigo descrever.
ès sem duvida uma inspiração para os demais, és requintado na escrita, absorves as palvras sem medos
Quem te tem todos os dias,sem duvida que sabe dar valor e desejando nunca te perder...fico feliz por ti.

Desde que me mandaram o Link do teu Blog, fiquei completamente absorvida nessa tua maneira, tão interessante de manifestares tudo o que sentes, mesmo meio a brincar! Principalmente adoro esse teu sentido de humor! Fenomenal!
Pareçes ser uma pessoa espectacular, excelente, bonita e muito inteligente!
De facto sinto-me atraída pelas tuas palavras, não deverei ser a primeira a dizer te certamente, mas deverias escrever um livro... aliás, dois! Um com todas as teorias do bacalhau :) (que realmente e a meu ver deixaria qualquer livro do género a um canto), e quem sabe fazer um programa de televisão, e outro com todos esses teus sentimentos maravilhosos!

um grande beijo de uma leitora assidua, e que deseja imenso ver todo o sucesso a que tens direito!

(Vou te mandar o meu mail, depois adiciona-me se quiseres)

http://carlacpinto.hi5.com

Anonymous said...

Os maiores e melhores momentos da vida acabam por começar naquilo que é mais simples.A vida é o oceano a tristeza e a felicidade são os ventos os pensamentos são as pontas das montanhas, que se
erguem como ilhas a vida de uma pessoa é o seu veleiro.

Uma pessoa em harmonia é aquela que sabe usar os ventos como força para se impulsionar,usar as ilhas para o seu descanso na sua jornada,
apreciar o balanço das ondas, como elas devem ser, e ao final da jornada,abrir um sorriso e dizer: a viagem valeu!
Um beijo para ti!
Uma pessoa em desarmonia
É aquela que sempre transforma os ventos numa tempestade,
Que ignora as ilhas, e as vêem como
obstáculos as suas jornadas,
Que acha que as ondas só podem estar no topo,
Que no fim da jornada apenas conta quantas vezes as ondas
desceram e quantas vezes o barco virou. "..

Anonymous said...

Desculpa, B mas nao consigo comentar esta teoria:

Tu prometeste que isto seria um blog parvo, nao estou a ver parvoíce nenhuma nesta teoria, portanto, PASSO.

E espero que nao se volte a repetir.

PIEGAS, pfffffffff

;o)

upa.. upa... beijinho :o)