Sunday, January 21, 2007

Infantiló-Inocência...


Quando eu era mais puto, sofria de uma doença que não sei o nome mas era baseada em: “ainda não tenho os neurónios todos por isso estou sempre a ser ludibriado”.Quando entrei para a primeira classe, disseram-me que havia um miúdo morto numa poça de água no recreio. E eu acreditei. Durante uma semana inteira. Acho que só comecei a desconfiar quando passou a época das chuvas e a poça secou.Porque não desconfiei antes já que os professores da escola não tomavam medidas e nem sequer comentavam uma situação desta gravidade? É preciso ver que ir para a 1ª classe era como entrar numa terra sem lei em que os miúdos mais velhos nos podiam bater quando quisessem e, dizia-se, havia sempre uma dezena de ciganos à espera que passássemos os portões da escola para nos roubarem o relógio. Era cada pequenino por si! Por isso é que estávamos sempre a correr de um lado para o outro sem motivo aparente. Estávamos a praticar a nossa velocidade.No entanto, tudo era esquecido quando acabava o recreio e entrávamos dentro da sala de aula; solo sagrado onde voltávamos a acreditar piamente na professora. A Sra. Professora dizia-nos para passarmos horas intermináveis a picotar um papel em cima de uma esponja e nós, maravilhados, cumpríamos a tarefa de bom grado. Fazia-nos esquecer a manhã exaustiva de volta das contas de somar. “Quando for grande eu quero ser picotador” diziam alguns alunos cheios de orgulho. “Sinto que a minha formação como pessoa é mais completa desde que iniciámos as aulas de picotagem” pensava eu…E, olhando para trás, posso dizer com segurança que os meus companheiros que mais subiram na vida foram os que, em vez de irem para o recreio no intervalo, pediam à professora para continuarem na sala a praticar a arte cheia de significado que é a picotagem. Hoje, alguns são mesmo professores primários e continuam a ensinar essa brilhante e mitica arte… outros viraram actores pornográficos, uns arrajam esquentadores, outros trabalham numa redacção de uma pensão de 2 estrelas em Lisboa… e outros escrevem em Blogues e não têm mais nada que fazer que ficar de frente ao computador a comer amendoins e a sofrer algo género de uma diarreia mental… tal como eu…

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