Há muito tempo que me intrigam as coisas que as pessoas dizem quando se toca á campaínha e alguém pergunta: "Quem é?". Os carteiros respondem sempre "É o correio!", quando deveriam dizer que é o carteiro, visto que as cartas não falam. Os miúdos da publicidade usam a mesma lógica, porque se dissessem que eram "o Ruben do 10ºF que distribui publicidade para ver se consegue comprar uma scooter para impressionar os amigos", duvido que alguém lhes abrisse a porta. O homem do gás diz que "é o homem do gás", o que chega perfeitamente, pois ninguém quer saber o nome dum homem que anda no negócio de levar bilhas. A menos que fosse uma daquelas loiras que andam a levar as novas garrafas, as pluma... mas eu uso dessas e já encomendei e até agora vem sempre um gajo com barba e cara de mau... (talvez eu tenha tido azar e elas estivessem de folga...). As testemunhas de Jeová não dizem nada e apenas esperam que Deus lhes conceda uma oportunidade de espalhar a Sua palavra. Já os ladrões e os agarrados não podem dizer "É um ladrão e/ou agarrado", logo dizem que são uma das pessoas que referi anteriormente. Mas a resposta mais genial de todas é o clássico "Sou eu!". Toda a gente já a usou, e é uma resposta que prima não só pela sua sinceridade, mas também pela sua eficácia quanto à questão de abrir portas. As hipóteses que existem para além desta, não são nada de jeito. Há o dizer o nome na terceira pessoa "É o Não-sei-quantos", que nos faz soar a um egocêntrico que fala de si como uma entidade superior. Também há a versão da auto-afirmação, em que se diz "Sou o Não-sei-quantos", e que faz lembrar os maluquinhos deprimidos que sairam há pouco do hospício e que ouvem cassetes de auto-ajuda enquanto vão a caminho do consultório do seu terapeuta. Dentro do "sou eu" existem duas principais variantes: o "Sou eu, abre a porta!" e o "Sou eu, o Não-sei-quantos!". A primeira tem de ser dita no tom autoritário e/ou agressivo, e intensifica a eficácia da abertura da porta. A segunda é bem mais sincera, e tem como objectivo refrescar memórias, enfatizar afectos, ou até mesmo abrir a porta.É claro que os intercomunicadores com vídeo andam a lixar esta inofensiva prática. Basta tocar á porta e olhar para a câmara, e mesmo assim ainda perguntam: (...Quem é?) , como se não nos tivessem a ver. Só nos resta mesmo tocar nas campaínhas e fugir. Nenhuma tecnologia irá destruir essa bela tradição de entertenimento infanto-juvenil... que saudades...
(... não está ninguém...)
2 comments:
Eu estou a comentar de certa forma obrigada... ora pois bem... podem sempre fazer como eu... quando tocam à minha campainha nem sequer ligo logo não levo com respostas clichès...
Também já tinha pensado nisso! Nisso, e quando nos respondem do outro lado da linha ao "quem fala?" "Sou Eu". Mas melhor sou eu que coloco nos livros Eu ou Meu! (?) Enfim, coisas da Maria
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